terça-feira, 20 de novembro de 2012
Honestamente, preferia que você não fosse. Esta é a resposta escondida por meu silêncio. Mas é seu direito ir, embora, caso vá, será só mais um momento desagradável. Espero que não vá, e quando tiver que ir, ou não for possível cruzar-lhe o olhar, já não faça qualquer diferença nem se vai ser agradável.
domingo, 21 de outubro de 2012
Se pudesse contabilizar os gostos e desgostos que tive com você, se fosse fácil mensurar a gravidade ou a importância das palavras ditas sem passar pela suscetibilidade do meu coração que ainda não se desfez das mágoas nem daquela que morre por último, mas cuja morte já desejei em mim, embora a receie em você, por conta daquilo que a vida ensina a todos nós: menos expectativas, menos decepções... Se eu tivesse podido, lucidamente, fazer isso cedo, cedo antes do amargor temperar meu sangue, endurecer minha casca e envelhecer-me tanto; ah, teria sido tão bom, ter-me livrada de ti antes, bem antes e hoje já ser feliz, dispensando a curiosidade boba de querer saber o que traz o tempo, porque toda novidade já caminhou bastante antes de nos alcançar.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Ainda sobre o mesmo assunto: Espero que um dia você seja capaz de amar alguém ou simplesmente gostar de uma maneira tal que não te permita ser tão injusto e egoísta com quem gostas. Ou você é tão imaturo e está tão confuso que não consegue demonstrar de maneira prática a sua consideração pelo outro ou está se enganando quanto ao que sente. Antes de me dizer qualquer coisa tente verificar em silêncio se tal ideia ou sentimento são uma constante em você e pense bem em como pretende usar essa ideia ou sentimento.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Eu sou a pessoa de quem você mais gostou na vida? Entenda, não me interessa saber disso. Que importa agora ter tido algum significado, se já deixou de ter? Então, chega de falar do que sentiu. Se sentir alguma coisa agora, se for útil para o seu crescimento pessoal dizê-lo, se puder me interessar, bom, aí sim, diga.
sábado, 7 de abril de 2012
Sinto sua falta. Nela uso o que sobra: palavras, silêncio, música, minha dança solitária no pátio escuro, o sorriso do meu filho, o trabalho, o sono, a dor nas costas, o almoço de páscoa, novamente o sorriso do meu filho, o choro do meu filho, o leite, o banho, o sono, e de novo também as palavras, as minhas, e dos outros para outros, mas que sinto para mim.
Tem tanta coisa que, um dia, teu espaço vazio não vai mais querer ser ocupado. Vai ficar lá, vazio e sozinho, como um cômodo da casa que já não se usa. E aí, quem sabe, um dia, eu resolva fazer uma reforma, derrubar paredes...
Tem tanta coisa que, um dia, teu espaço vazio não vai mais querer ser ocupado. Vai ficar lá, vazio e sozinho, como um cômodo da casa que já não se usa. E aí, quem sabe, um dia, eu resolva fazer uma reforma, derrubar paredes...
terça-feira, 3 de abril de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Hoje é o Dia Internacional da Mulher, quando se comemoram muitas das conquistas do movimento feminista, se enaltecem nossas características femininas, nossa importância na sociedade. Hoje recebi uma parabenização por isto, por ser mulher e ser hoje o meu dia, e de tantas outras. Me disseram "parabéns pelas conquistas, por saber o quão grandiosa é a missão de ser mãe, por sagrar-me mulher".
Tudo bem, mas é que quem me mandou essa mensagem foi meu ex-marido. Na verdade, nunca casamos nem na igreja, nem no cartório, mas dividimos o mesmo teto por dois anos, tivemos um filho juntos, trocamos muito carinho, tivemos várias brigas, dividimos as contas, as tarefas da casa. E acho que realmente nos amamos. Não sei o momento exato em que tudo começou a desandar, lembro de situações muito chatas, algumas que magoaram e acabaram modificando um pouco meu comportamento em relação a ele. Eu andava cansada, desanimada, completamente afastada dos amigos, já devia estar no que só agora começo a admitir identificar como uma depressão.
Vai fazer dois meses que ele saiu de casa, me dizendo somente que eu não havia dado valor ao homem que eu tinha, que eu o havia perdido. Fui forte alguns dias, nuns me concentrei em João (meu filho), chorei várias vezes, me senti absurdamente culpada, perdi o controle um dia, me humilhei... Sei de tanta coisa e não sei de nada. Sei que, quando alguem quer ir embora, deve-se deixá-lo ir, mas não consegui deixar de tentar, em vão, resgatar qualquer coisa, convencê-lo do contrário. Quem sou eu para tentar convercer alguém a me amar, ou a continuar me amando? Que espécie de sentimento eu pretendia conquistar através da argumentação ou do desespero? Tola, agi como uma menininha tola e desesperada. Ainda ajo de vez em quando.
Terminar namoros é tão mais fácil do que isso que eu estou vivendo. Foi algo mais de dois anos juntos, mas em que vivemos coisas de que algumas vidas inteiras nem se aproximam. E eu me sinto mais boba ainda por ver como ele lida tão bem, tão tranquilamente com tudo isso, como se não fosse nada, não significasse nada. A única coisa que a minha presença, ou a sombra dela, parece causar-lhe é um incômodo muito grande.
Uma cigana me avisou que tudo iria mudar radicalmente e que eu sofreria muito. Ela acertou, tá tudo mudando, cada coisa, uma de cada vez mudando, a vida me tirando as certezas que tinha. Mas eu vou ser uma mulher muito mais forte do que qualquer teste que a vida me fizer. E mais do que forte, eu vou ser feliz, um dia eu ainda vou ser muito feliz. Porque, meu Deus, eu não mereceria?
Tudo bem, mas é que quem me mandou essa mensagem foi meu ex-marido. Na verdade, nunca casamos nem na igreja, nem no cartório, mas dividimos o mesmo teto por dois anos, tivemos um filho juntos, trocamos muito carinho, tivemos várias brigas, dividimos as contas, as tarefas da casa. E acho que realmente nos amamos. Não sei o momento exato em que tudo começou a desandar, lembro de situações muito chatas, algumas que magoaram e acabaram modificando um pouco meu comportamento em relação a ele. Eu andava cansada, desanimada, completamente afastada dos amigos, já devia estar no que só agora começo a admitir identificar como uma depressão.
Vai fazer dois meses que ele saiu de casa, me dizendo somente que eu não havia dado valor ao homem que eu tinha, que eu o havia perdido. Fui forte alguns dias, nuns me concentrei em João (meu filho), chorei várias vezes, me senti absurdamente culpada, perdi o controle um dia, me humilhei... Sei de tanta coisa e não sei de nada. Sei que, quando alguem quer ir embora, deve-se deixá-lo ir, mas não consegui deixar de tentar, em vão, resgatar qualquer coisa, convencê-lo do contrário. Quem sou eu para tentar convercer alguém a me amar, ou a continuar me amando? Que espécie de sentimento eu pretendia conquistar através da argumentação ou do desespero? Tola, agi como uma menininha tola e desesperada. Ainda ajo de vez em quando.
Terminar namoros é tão mais fácil do que isso que eu estou vivendo. Foi algo mais de dois anos juntos, mas em que vivemos coisas de que algumas vidas inteiras nem se aproximam. E eu me sinto mais boba ainda por ver como ele lida tão bem, tão tranquilamente com tudo isso, como se não fosse nada, não significasse nada. A única coisa que a minha presença, ou a sombra dela, parece causar-lhe é um incômodo muito grande.
Uma cigana me avisou que tudo iria mudar radicalmente e que eu sofreria muito. Ela acertou, tá tudo mudando, cada coisa, uma de cada vez mudando, a vida me tirando as certezas que tinha. Mas eu vou ser uma mulher muito mais forte do que qualquer teste que a vida me fizer. E mais do que forte, eu vou ser feliz, um dia eu ainda vou ser muito feliz. Porque, meu Deus, eu não mereceria?
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Como adormecer nenens
Deixe que pule, ande, engatinhe e brinque por toda a manhã, dê-lhe um pouco de leite morno. Pronto, pegue-o no colo e dance com ele um samba calminho, algo acompanhado de violão, se entregue a música e ele se entrega ao sono. É lindo saber, mesmo sem ver, que os seus olhinhos vão fechando apoiados nos meus ombros.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Quando enfim penso que estou melhor, penso na dor que desatina e a porcaria do rádio não ajuda. Eu sei que não é possível simplesmente esquecer, eu acredito em Borges e que só Alzheimer pode contradizê-lo, mas queria deixar de me importar, de me preocupar, queria que virasse lembrança do passado, já que, mesmo que no fundo eu também queira, o futuro já não nos reserva nada senão o que nos obriga a pessoa que temos em comum.
E os dias não são tão curtos, demoram, me torturam... E eu me sinto um nada, como mais um caso qualquer que acabou sem grandes motivos, simplesmente por que uma hora deixou de ser interessantes. E quem se importa com quem se importa? Ele foi em busca dos sonhos, de paz, da carreira, de poder sair com amigos, de poder viajar mais, ter tempo pra malhar... Quanto ele pensa que eu valho pra querer se justificar com isso, quanto ele acha que o filho dele vale? E ainda diz que ele que não foi valorizado... Bom, querida, talvez não valha a pena mesmo se importar
E os dias não são tão curtos, demoram, me torturam... E eu me sinto um nada, como mais um caso qualquer que acabou sem grandes motivos, simplesmente por que uma hora deixou de ser interessantes. E quem se importa com quem se importa? Ele foi em busca dos sonhos, de paz, da carreira, de poder sair com amigos, de poder viajar mais, ter tempo pra malhar... Quanto ele pensa que eu valho pra querer se justificar com isso, quanto ele acha que o filho dele vale? E ainda diz que ele que não foi valorizado... Bom, querida, talvez não valha a pena mesmo se importar
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
João, por favor, meu amor, não acorde agora, a mamãe precisa descansar. Ao menos uma noite, meu bem. Não digo dormir, hoje não posso, nem consigo. Preciso escrever um texto, quem sabe com ele não consigo trezentos reais a mais por mês... Mais que isso, que é pouco, mas que, para quem não tem nada de dinheiro e tanto pra cuidar, ajuda. É por mim também, por ter algo meu aceito, por fazer algo, por sentir que não estou me acomodando e que não vou me entregar às adversidades que me dão tantos motivos para desandar.
Pode parecer pretensiosa essa tamanha dificuldade que tenho para entender porque não consigo uma coisa que tanta gente consegue, e parece que sem tanto esforço, sem ter se importado tanto, não tendo sido tão sincera. Sei o que tenho de errado e machuca saber, porque sou eu, porque eu nunca fui, não sou, nem nunca vou ser, aquilo que se espera, que se quer. Eu sou chata, João, e isso, provavelmente, você vai saber melhor que ninguém. E, além disso, embora eu queira acreditar exatamente no contrário, ele não me amava.
Bom, agora é hora de passar ao texto e parar de ficar me lamentando.
Pode parecer pretensiosa essa tamanha dificuldade que tenho para entender porque não consigo uma coisa que tanta gente consegue, e parece que sem tanto esforço, sem ter se importado tanto, não tendo sido tão sincera. Sei o que tenho de errado e machuca saber, porque sou eu, porque eu nunca fui, não sou, nem nunca vou ser, aquilo que se espera, que se quer. Eu sou chata, João, e isso, provavelmente, você vai saber melhor que ninguém. E, além disso, embora eu queira acreditar exatamente no contrário, ele não me amava.
Bom, agora é hora de passar ao texto e parar de ficar me lamentando.
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