Sinto sua falta. Nela uso o que sobra: palavras, silêncio, música, minha dança solitária no pátio escuro, o sorriso do meu filho, o trabalho, o sono, a dor nas costas, o almoço de páscoa, novamente o sorriso do meu filho, o choro do meu filho, o leite, o banho, o sono, e de novo também as palavras, as minhas, e dos outros para outros, mas que sinto para mim.
Tem tanta coisa que, um dia, teu espaço vazio não vai mais querer ser ocupado. Vai ficar lá, vazio e sozinho, como um cômodo da casa que já não se usa. E aí, quem sabe, um dia, eu resolva fazer uma reforma, derrubar paredes...
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