Hoje é o Dia Internacional da Mulher, quando se comemoram muitas das conquistas do movimento feminista, se enaltecem nossas características femininas, nossa importância na sociedade. Hoje recebi uma parabenização por isto, por ser mulher e ser hoje o meu dia, e de tantas outras. Me disseram "parabéns pelas conquistas, por saber o quão grandiosa é a missão de ser mãe, por sagrar-me mulher".
Tudo bem, mas é que quem me mandou essa mensagem foi meu ex-marido. Na verdade, nunca casamos nem na igreja, nem no cartório, mas dividimos o mesmo teto por dois anos, tivemos um filho juntos, trocamos muito carinho, tivemos várias brigas, dividimos as contas, as tarefas da casa. E acho que realmente nos amamos. Não sei o momento exato em que tudo começou a desandar, lembro de situações muito chatas, algumas que magoaram e acabaram modificando um pouco meu comportamento em relação a ele. Eu andava cansada, desanimada, completamente afastada dos amigos, já devia estar no que só agora começo a admitir identificar como uma depressão.
Vai fazer dois meses que ele saiu de casa, me dizendo somente que eu não havia dado valor ao homem que eu tinha, que eu o havia perdido. Fui forte alguns dias, nuns me concentrei em João (meu filho), chorei várias vezes, me senti absurdamente culpada, perdi o controle um dia, me humilhei... Sei de tanta coisa e não sei de nada. Sei que, quando alguem quer ir embora, deve-se deixá-lo ir, mas não consegui deixar de tentar, em vão, resgatar qualquer coisa, convencê-lo do contrário. Quem sou eu para tentar convercer alguém a me amar, ou a continuar me amando? Que espécie de sentimento eu pretendia conquistar através da argumentação ou do desespero? Tola, agi como uma menininha tola e desesperada. Ainda ajo de vez em quando.
Terminar namoros é tão mais fácil do que isso que eu estou vivendo. Foi algo mais de dois anos juntos, mas em que vivemos coisas de que algumas vidas inteiras nem se aproximam. E eu me sinto mais boba ainda por ver como ele lida tão bem, tão tranquilamente com tudo isso, como se não fosse nada, não significasse nada. A única coisa que a minha presença, ou a sombra dela, parece causar-lhe é um incômodo muito grande.
Uma cigana me avisou que tudo iria mudar radicalmente e que eu sofreria muito. Ela acertou, tá tudo mudando, cada coisa, uma de cada vez mudando, a vida me tirando as certezas que tinha. Mas eu vou ser uma mulher muito mais forte do que qualquer teste que a vida me fizer. E mais do que forte, eu vou ser feliz, um dia eu ainda vou ser muito feliz. Porque, meu Deus, eu não mereceria?
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