terça-feira, 1 de março de 2011

Fazia tempo que não ficava totalmente só, ausentes não só os acompanhantes de sempre, mãe e Ramon, mas ausentes todos os problemas, as preocupações, as tarefas do dia seguinte...

E a solidão faz muito bem, ao menos para mim que aprecio a minha própria companhia, convencida que sou da minha agradabilidade. É como digo sempre quando vou saciar meu vício nojento de arrancar cravos das costas do Ramon, há coisas que são necessárias para o pleno desenvolvimento humano, uma delas é o sofrimento ou a dor que nos faz crescer, outra é um pouco de solidão para aprender a lidar consigo e compreender os outros que nos tem que aturar a todo tempo. Mas é óbvio que quando falo isso para o Ramon o único intuito é tentar amenizar minha falta de técnica para realizar limpeza de pele.

Uma das coisas boas que esta tarde sozinha, embora haja um acompanhante aqui comigo (depois explico), me trouxe foi o impulso de escrever que sabe-se lá porque tinha perdido há algum tempo, como quem esquece de um sonho. E deve ser uma coisa muito preciosa na vida resgatar um sonho da memória, que se escondeu num lugar da alma onde pouco se vai, e ter vontade disposição para novamente fazê-lo viver. O sonho: escrever, publicar, contar histórias e lembranças para os outros, mostrar minhas opiniões, me expor, dividir-me.

Quando eu era pequena gostava de fingir ser professora de literatura. Pegava os livros e revistinhas e entregava cada um a um dos meus bonecos ou ursinhos de pelúcia, dava algumas idéias sobre o que tinham que fazer, escrever uma história, e depois lia e relia os livrinhos e revistinhas dando notas a cada um deles e fazendo observações sobre a criatividade e estilo dos meus bonecos e ursinhos. Comecei a fazer isso assim que aprendi a ler e é uma cena muito forte da minha infância, os bonecos todos espalhados pelo chão, sentados, encostados nas paredes e móveis com seus livros no colo e eu sentada no meio do quarto lendo ou desenhando enquanto esperava eles terminarem seus escritos. Acho que foi assim que a idéia surgiu pela primeira vez na minha cabeça, na típica brincadeira de menina de ser professora.

Pretendo escrever com mais freqüência agora, especialmente porque tenho um motivo especial para querer mostrar o mundo como o vejo e contar minhas histórias, o mesmo motivo que, por enquanto, não me deixa completamente sozinha nem que o queira, vai sempre onde vou, e que vou explicar depois. Agora preciso me alimentar

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