segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Como adormecer nenens

Deixe que pule, ande, engatinhe e brinque por toda a manhã, dê-lhe um pouco de leite morno. Pronto, pegue-o no colo e dance com ele um samba calminho, algo acompanhado de violão, se entregue a música e ele se entrega ao sono. É lindo saber, mesmo sem ver, que os seus olhinhos vão fechando apoiados nos meus ombros.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Quando enfim penso que estou melhor, penso na dor que desatina e a porcaria do rádio não ajuda. Eu sei que não é possível simplesmente esquecer, eu acredito em Borges e que só Alzheimer pode contradizê-lo, mas queria deixar de me importar, de me preocupar, queria que virasse lembrança do passado, já que, mesmo que no fundo eu também queira, o futuro já não nos reserva nada senão o que nos obriga a pessoa que temos em comum.

E os dias não são tão curtos, demoram, me torturam... E eu me sinto um nada, como mais um caso qualquer que acabou sem grandes motivos, simplesmente por que uma hora deixou de ser interessantes. E quem se importa com quem se importa? Ele foi em busca dos sonhos, de paz, da carreira, de poder sair com amigos, de poder viajar mais, ter tempo pra malhar... Quanto ele pensa que eu valho pra querer se justificar com isso, quanto ele acha que o filho dele vale? E ainda diz que ele que não foi valorizado... Bom, querida, talvez não valha a pena mesmo se importar

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

João, por favor, meu amor, não acorde agora, a mamãe precisa descansar. Ao menos uma noite, meu bem. Não digo dormir, hoje não posso, nem consigo. Preciso escrever um texto, quem sabe com ele não consigo trezentos reais a mais por mês... Mais que isso, que é pouco, mas que, para quem não tem nada de dinheiro e tanto pra cuidar, ajuda. É por mim também, por ter algo meu aceito, por fazer algo, por sentir que não estou me acomodando e que não vou me entregar às adversidades que me dão tantos motivos para desandar.
Pode parecer pretensiosa essa tamanha dificuldade que tenho para entender porque não consigo uma coisa que tanta gente consegue, e parece que sem tanto esforço, sem ter se importado tanto, não tendo sido tão sincera. Sei o que tenho de errado e machuca saber, porque sou eu, porque eu nunca fui, não sou, nem nunca vou ser, aquilo que se espera, que se quer. Eu sou chata, João, e isso, provavelmente, você vai saber melhor que ninguém. E, além disso, embora eu queira acreditar exatamente no contrário, ele não me amava.
Bom, agora é hora de passar ao texto e parar de ficar me lamentando.